Áulus
Identificação
Assistente especializado em ciências mediúnicas, mentor protagonista de Nos Domínios da Mediunidade (1955). Apresentado por Clarêncio a André Luiz e Hilário para um curso técnico de mediunidade. Espírito de feição nobre e simpática; aliando “substanciosa riqueza cultural e o mais entranhado patrimônio de amor”, trata os discípulos com “afetividade de um pai enternecido”.
Biografia espiritual relatada no cap. 2: interessou-se pelas experimentações mediúnicas desde 1779, quando conheceu Mesmer em Paris, no estudo das proposições do magnetizador. Reencarnou no início do séc. XIX, “apreciara, de perto, as realizações de Allan Kardec, na codificação do Espiritismo, e privara com Cahagnet e Balzac, com Théophile Gautier e Victor Hugo, acabando seus dias na França”. No mundo espiritual, prosseguiu na mesma linha; à data narrativa do livro, dedicava-se há “mais de trinta anos” à obra brasileira.
Papel
Em Nos Domínios da Mediunidade (1955)
Conduz André Luiz e Hilário em curso de 30 capítulos por duas reuniões espíritas — núcleo íntimo dirigido por Raul Silva (com Clementino como mentor) e grande sessão pública conduzida por Gabriel com a médium Ambrosina. Princípios pedagógicos:
- Mente como fundamento (cap. 1, recolhendo a aula do Instrutor Albério) — “a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos”. Mediunidade só por si nada vale: “não existe aperfeiçoamento mediúnico sem acrisolamento da individualidade”.
- Observação antes de juízo — usa o psicoscópio (cap. 2) para auscultar moralmente cada caso antes de comentá-lo.
- Tipologia rigorosa — distingue possessão (cap. 9), sonambulismo torturado (cap. 10), fascinação (cap. 23) e mandato mediúnico (cap. 16) sem reduzir uma à outra.
- Ensino pela cena difícil — submete os discípulos a casos extremos (epilepsia essencial, licantropia hipnótica, suicidas, dementes) para que extraiam a lição da reciprocidade do passado.
- Recusa de denúncia e perseguição — “Encarrega-se a vida de colocar-nos no lugar que nos compete” (cap. 2).
- Síntese ontológica final — no cap. 30, amplia o conceito: “o lavrador é o médium da colheita, a planta é o médium da frutificação e a flor é o médium do perfume. (…) a Arte é a mediunidade do Belo. (…) o juiz é o médium das leis. (…) A família consanguínea é uma reunião de almas em processo de evolução”.
Citações relevantes
“Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme recebe, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá.” (cap. 1, recolhendo Albério)
“É contraproducente intensificar a movimentação da energia sem disciplinar-lhe os impulsos. É perigoso possuir sem saber usar. O espelho sepultado na lama não reflete o esplendor do Sol.” (cap. 1)
“Penetramos forçosamente no inferno que criamos para os outros, a fim de experimentarmos, por nossa vez, o fogo com que afligimos o próximo. Ninguém ilude a justiça.” (cap. 9)
“Em mediunidade há também o problema da sintonia no tempo.” (cap. 23, sobre xenoglossia)
“Um mandato é uma delegação de poder obtida pelo crédito moral, sem ser um atestado de santificação.” (cap. 16)
“Recordemos a palavra do Senhor: ‘muito se pedirá de quem muito recebeu’.” (cap. 16)
Obras associadas
- nos-dominios-da-mediunidade — mentor protagonista do curso técnico de mediunidade
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Fontes
- XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade. Rio de Janeiro: FEB, 1955. Edição: nos-dominios-da-mediunidade.