Pôncio Pilatos

Identificação

Procurador romano da Judeia entre c. 26 e 36 d.C., sob o imperador Tibério. Conhecido nos Evangelhos como o magistrado que presidiu o julgamento de Jesus em Jerusalém. Aparece como personagem em Há Dois Mil Anos… (Emmanuel/Chico Xavier, 1939), em registro mais sombrio do que o evangélico — Emmanuel o retrata como tirano libidinoso, responsável direto pela calúnia que separa Lívia de Públio Lêntulus e por massacres entre samaritanos no vale de Siquém após o martírio de Simeão.

Papel

A figura de Pilatos no romance de Emmanuel articula três funções narrativas:

  1. Calúnia contra Lívia — em seu gabinete em Cesareia, Fúlvia Prócula sugere a Públio Lêntulus que Lívia teria saído escondida do palácio em vestes de disfarce. A insinuação destrói o lar dos Lêntulus por 25 anos.
  2. Mandante do sequestro frustrado — autoriza o lictor Sulpício Tarquínius a perseguir Lívia e Ana até a Samaria, levando ao martírio do velho Simeão.
  3. Destituição em 35 d.C. — após denúncia organizada por Públio e Flamínio Sevérus em Roma, Pilatos é chamado à capital, destituído e banido para Viena nas Gálias, onde “se suicidou, daí a três anos, ralado de remorsos, de privações e de amarguras”. Linha narrativa convergente com Eusébio, História Eclesiástica, II.7.

A presença de Pilatos no romance é o fio que conecta a esfera política do Império à expiação privada da família Lêntulus — orgulho público e crueldade pessoal são apresentados, em chave doutrinária, como faces do mesmo enraizamento no orbe das vaidades.

Citações relevantes

“Quando o cérebro de um governo está envenenado, o coração dos governados padece da mesma peçonha. Esperaríamos em vão qualquer providência a favor dos mais humildes e dos mais infelizes, porque a Judeia está sob a tirania de um homem cruel e tenebroso.” (Lívia, sobre Pilatos, em Há Dois Mil Anos…)

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Fontes

  • XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Há Dois Mil Anos… Rio de Janeiro: FEB, 1939. Edição: ha-dois-mil-anos.
  • EUSÉBIO DE CESAREIA. História Eclesiástica, livro II, cap. 7 (referência ao banimento e suicídio).