Lemaire

Identificação

Criminoso condenado à pena de morte pelo tribunal de Aisne, executado em 31 de dezembro de 1857. Evocado pela Sociedade Espírita de Paris em 29 de janeiro de 1858.

Situação no mundo espiritual

Lemaire encontrava-se em intenso sofrimento moral e físico. Logo após a execução, mergulhou em “perturbação imensa”, sentindo uma dor lancinante — não física, mas moral — descrita como um remorso intolerável. Via suas vítimas, cujos olhares o perseguiam “até o fundo do ser”, e permanecia reunido a seus cúmplices, cuja visão mútua era “um suplício contínuo”. Reconheceu que a inclinação ao crime estava em sua natureza por ser “um Espírito inferior” que pedira uma prova acima de suas forças. Arrependeu-se sinceramente, mas compreendia que a expiação ainda estava distante (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Lemaire”).

Lições principais

  1. Escolha de provas acima das forças. Lemaire admitiu ter escolhido uma prova rude, confiando em forças que não possuía: “Acreditei ser forte, escolhi uma prova rude; cedi às tentações do mal” (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Lemaire”).
  2. Visão das vítimas como suplício. As vítimas, felizes no mundo espiritual, olhavam-no com compaixão, sem ódio — mas para Lemaire, “dever tudo a quem se odeia” era um suplício insuportável (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Lemaire”).
  3. Reparação por novas provas. Lemaire entrevia a necessidade de novas existências para reparar seus crimes, embora sentisse “a eternidade” entre si e essas provas futuras (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Lemaire”).

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VI, “Lemaire”. FEB.