Atos dos Apóstolos

Dados bibliográficos

  • Autor: Lucas, médico e companheiro de Paulo (Cl 4:14; 2 Tm 4:11; Fm 24). Segundo volume da obra iniciada no terceiro Evangelho, ambos dedicados a Teófilo (At 1:1; Lc 1:3).
  • Título: Atos dos Apóstolos (Bíblia ACF — Almeida Corrigida e Fiel)
  • Nível na hierarquia de autoridade: Nível 3 — escrito apostólico (NT canônico não-evangélico). Citado seletivamente por Kardec; lido à luz do Pentateuco.
  • Capítulos: 28
  • Texto integral: 1

Cabeçalho

Continuação direta do Evangelho de Lucas: do relato da ascensão e de Pentecostes ao cativeiro romano de Paulo. Atos é o único livro narrativo do NT pós-crucificação — fonte principal sobre a organização da comunidade cristã primitiva, a universalização da mensagem para os gentios e a fenomenologia mediúnica apostólica.

Para o estudo espírita, Atos é precioso por três razões:

  1. Fenomenologia mediúnica explícita e coletiva — Pentecostes (At 2), aparição de Jesus a Paulo (At 9), visões de Cornélio e Pedro (At 10), libertação de Pedro por Espírito tangibilizado (At 12), pitonisa de Filipos (At 16), curas à distância por lenços (At 19), morte aparente de Êutico (At 20). É o maior compêndio neotestamentário de fenômenos que Kardec classifica em Gênese, caps. XIV–XV.
  2. Desobsessões e discernimento mediúnico — casos de obsessão (pitonisa, filhos de Ceva) e distinção clara entre mediunidade gratuita e magia mercenária (Simão, o Mago, At 8). Base neotestamentária para LM, 2ª parte, cap. XXIII.
  3. Universalismo moral — “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10:34), “de um só sangue fez toda a geração dos homens” (At 17:26), “nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28) — formulações explicitamente citadas por Kardec (ESE, caps. I, XI).

Passagens-chave citadas por Kardec: At 10:34 (imparcialidade divina, ESE cap. XI), At 17:24–28 (Deus não habita em templos; imanência divina — ESE cap. I; LE, q. 658–664), At 20:35 (“há mais bem-aventurança em dar do que em receber”, ESE cap. XIII).

Estrutura e temas por capítulo

Fundação da comunidade (caps. 1–5)

Cap. 1 — Ascensão, escolha de Matias. Prólogo dirigido a Teófilo (At 1:1–3). Última aparição de Jesus, ascensão (At 1:9–11) — forma tangibilizada do perispírito superior (Gênese, cap. XV). Escolha de Matias para substituir Judas por sorteio e oração (At 1:15–26). Ver 1.

Cap. 2 — Pentecostes. “Línguas repartidas como que de fogo” sobre os apóstolos (At 2:3); xenoglossia — multidão de várias nações ouve cada um em sua própria língua (At 2:6–11). Pedro cita Joel: “Derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos” (At 2:17) — anúncio programático da mediunidade universalizada (cf. LM, 2ª parte, cap. XIV, item 159: “a faculdade é inerente ao homem, não privilégio exclusivo”). Batismo de três mil. Comunhão de bens (At 2:42–47): “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. Ver 2.

Cap. 3 — Cura do coxo na Porta Formosa. “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (At 3:6). Cura por imposição da mão — ação fluídica em nome de Jesus (Gênese, cap. XIV). Segundo discurso de Pedro no pórtico de Salomão. Ver 3.

Cap. 4 — Prisão de Pedro e João; oração da comunidade; comunhão de bens (reprise). “Nenhum outro nome há debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12). “Ninguém dizia ser sua própria coisa alguma que possuísse, mas todas as coisas lhes eram comuns” (At 4:32). Barnabé (José, o Consolador) vende um campo e põe o valor aos pés dos apóstolos (At 4:36–37). Ver 4.

Cap. 5 — Ananias e Safira; sinais por Pedro; apóstolos libertados por “anjo”; conselho de Gamaliel. Casal mente sobre o valor da venda e cai morto diante de Pedro (At 5:1–11). “A sombra de Pedro, ao menos, cobrisse alguns deles” — curas por irradiação fluídica (At 5:15; cf. Gênese, cap. XIV). Prisão dos apóstolos; “à noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão” (At 5:19) — intervenção espiritual. Prudência de Gamaliel: “se esta obra é de homens, se desfará, mas se é de Deus, não a podereis desfazer” (At 5:38–39). Ver 5.

Divergência com Kardec

A morte fulminante de Ananias e Safira (At 5:1–11) sugere castigo divino sumário por mentira, incompatível com a doutrina kardequiana das penas temporárias e reparadoras (C&I, 1ª parte, caps. VI–VII) e com a progressividade da justiça divina (LE, q. 1009–1016). Ver morte-de-ananias-e-safira.

Expansão e primeiro mártir (caps. 6–7)

Cap. 6 — Escolha dos sete diáconos; Estêvão acusado. Divisão de trabalho na comunidade: apóstolos à oração e ao ministério da palavra, diáconos ao serviço material (At 6:1–6). Estêvão, “cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6:8). Ver 6.

Cap. 7 — Discurso e martírio de Estêvão. Longo discurso recapitulando a história sagrada, culminando em “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 7:48) — mesma tese que Paulo desdobrará no Areópago (At 17:24). Visão final: “eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At 7:55–56) — emancipação da alma na aproximação da morte (LE, q. 400–418; ESE cap. V). Perdão aos algozes: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7:60) — paralelo direto a Lc 23:34. Saulo guarda as capas dos que apedrejam (At 7:58). Ver 7.

Samaria, Etíope e conversão de Paulo (caps. 8–9)

Cap. 8 — Felipe na Samaria; Simão, o Mago; eunuco etíope. Dispersão pós-morte de Estêvão. Felipe prega em Samaria, cura, expele “espíritos imundos” (At 8:7). Simão, o Mago, “enganava o povo de Samaria com suas artes mágicas” (At 8:9–11); vendo o poder dos apóstolos, oferece dinheiro para comprar o dom do Espírito Santo: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro” (At 8:20) — origem do termo simonia. Núcleo doutrinário: a mediunidade é gratuita, fruto de elevação moral, nunca mercadoria (cf. LM, 2ª parte, cap. XXIX, itens 279–280; Viagem Espírita em 1862, “médiuns interesseiros e profissionais são desconhecidos”). Conversão do eunuco etíope a caminho de Gaza: Felipe é transportado após o batismo (“o Espírito do Senhor arrebatou a Felipe”, At 8:39). Ver 8.

Cap. 9 — Conversão de Saulo; Tabita ressuscitada. Caminho de Damasco (At 9:1–9): “subitamente o cercou um resplendor de luz do céu” — aparição tangibilizada do Cristo; voz direta: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9:4). Cegueira temporária por três dias. Ananias de Damasco, advertido em visão, impõe as mãos e “caíram dos olhos como que umas escamas” (At 9:18) — ação fluídica. É fenômeno mediúnico de alta ordem (Gênese, caps. XIV–XV). Tabita (Dorcas), discípula caridosa, é chamada de volta por Pedro em Jope (At 9:36–42) — possível caso de morte aparente (cf. C&I, 1ª parte, cap. III). Ver 9.

Universalismo e gentios (caps. 10–12)

Cap. 10 — Cornélio e Pedro. Centurião romano, “piedoso e temente a Deus com toda a sua casa” (At 10:2), recebe visão de “um homem com vestes resplandecentes” (At 10:30). Pedro, em Jope, tem visão do lençol com animais impuros: “O que Deus purificou, não o faças tu comum” (At 10:15). Ao encontrar Cornélio: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo” (At 10:34–35) — formulação neotestamentária do universalismo moral, citada por Kardec em ESE, cap. XI. O Espírito Santo desce sobre os gentios antes mesmo do batismo (At 10:44–48). Ver 10.

Cap. 11 — Pedro defende a conversão dos gentios; primeiros “cristãos” em Antioquia. Ágabo profetiza fome mundial: “e significou pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo” (At 11:28) — mediunidade profética (LM, 2ª parte, cap. XVI, item 191). Ver 11.

Cap. 12 — Martírio de Tiago; libertação de Pedro. Herodes mata Tiago irmão de João (At 12:2) e prende Pedro. Anjo do Senhor aparece na cela: “caíram-lhe das mãos as cadeias […] e passando a primeira e a segunda guarda, chegaram à porta de ferro […] a qual se lhes abriu por si mesma” (At 12:7–10) — ação espiritual sobre a matéria, análoga aos fenômenos de transporte e desmaterialização (Gênese, cap. XIV). Pedro, já livre, chega à casa de Maria mãe de João Marcos; a serva Rode reconhece a voz antes de abrir. Morte de Herodes “comido de bichos” (At 12:23). Ver 12.

Primeira viagem missionária (caps. 13–14)

Cap. 13 — Envio de Barnabé e Saulo; Chipre; Antioquia da Pisídia. Envio missionário por inspiração mediúnica: “Disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra para que os tenho chamado” (At 13:2). Em Chipre, confronto com o mago Elimas (bar-Jesus), que é cegado temporariamente (At 13:8–11). A partir daqui, Saulo passa a ser chamado Paulo (At 13:9). Primeiro grande discurso de Paulo em Antioquia da Pisídia. Ver 13.

Cap. 14 — Icônio, Listra, Derbe; retorno. Em Listra, Paulo cura um coxo de nascença (At 14:8–10); a multidão os confunde com Zeus e Hermes e quer sacrificar-lhes touros. Paulo apedrejado em Listra, dado por morto, se levanta (At 14:19–20). Fundação de comunidades com anciãos e oração (At 14:23). Ver 14.

Concílio de Jerusalém (cap. 15)

Cap. 15 — Concílio apostólico. Disputa sobre a circuncisão dos gentios convertidos. Pedro: “por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” (At 15:10). Tiago formula o decreto apostólico (At 15:19–20): gentios libertados da Lei mosaica, guardando apenas mínimos éticos. É o cumprimento histórico do universalismo anunciado por Jesus — a moral evangélica substitui o ritualismo mosaico (cf. ESE, cap. XXIII; hierarquia-de-autoridade). Separação de Paulo e Barnabé por causa de João Marcos (At 15:36–41). Ver 15.

Segunda viagem missionária (caps. 16–18)

Cap. 16 — Macedônia; Lídia; pitonisa de Filipos; carcereiro. Visão do “varão macedônico” (At 16:9) redireciona Paulo para a Europa. Conversão de Lídia, vendedora de púrpura (At 16:14). Pitonisa de Filipos: “uma jovem que tinha espírito de adivinhação […] dava grande lucro aos seus senhores” (At 16:16). Paulo, incomodado pela perseguição anunciadora, ordena: “Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela” (At 16:18) — desobsessão clássica, simétrica à de Cafarnaum (Mc 1:21–28). Prisão, terremoto libertador, conversão do carcereiro (At 16:25–34). Ver 16.

Cap. 17 — Tessalônica, Beréia, Atenas. Bereanos “de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17:11) — modelo da fé raciocinada (ESE, cap. XIX). Discurso no Areópago (At 17:22–31). “Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos” (At 17:22). O Deus desconhecido é o Deus único: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há […] não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 17:24) — coerente com ESE cap. XVII (adoração em espírito e verdade) e LE q. 658–664. “De um só sangue fez toda a geração dos homens” (At 17:26) — unidade da espécie humana, base de ESE cap. XI. “Nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28) — imanência divina, citada por Kardec. Anúncio do juízo e da ressurreição; zombaria dos epicureus e estoicos; conversão de Dionísio, o Areopagita, e Dâmaris (At 17:32–34). Ver 17.

Cap. 18 — Corinto; Áquila e Priscila; Galião; Apolo. Paulo trabalha como fabricante de tendas com Áquila e Priscila (At 18:3). Visão noturna encorajadora: “Não temas, mas fala, e não te cales […] porque tenho muito povo nesta cidade” (At 18:9–10). Apolo, “eloquente e poderoso nas Escrituras”, é instruído por Priscila e Áquila (At 18:24–26). Ver 18.

Terceira viagem missionária (caps. 19–21)

Cap. 19 — Éfeso; doze discípulos de João; filhos de Ceva; queima de livros mágicos. Paulo impõe as mãos a doze discípulos que só conheciam o batismo de João: “falavam línguas, e profetizavam” (At 19:6). “Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos” (At 19:11–12) — curas por impregnação fluídica de objetos (Gênese, cap. XIV; paralelo com a franja do manto de Jesus, Mc 5:27–30). Sete filhos de Ceva, exorcistas judeus ambulantes, tentam invocar “Jesus a quem Paulo prega”; o Espírito responde: “Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois?” (At 19:13–16) e os agride — lição sobre o vazio dos rituais sem elevação moral (LM, 2ª parte, cap. XXIII; ESE cap. X). Queima pública de livros de artes mágicas: 50.000 peças de prata (At 19:19). Tumulto em torno do templo de Ártemis. Ver 19.

Cap. 20 — Trôade, Êutico, Mileto. Êutico adormece à janela durante discurso prolongado de Paulo, cai do terceiro andar, é dado por morto; Paulo o abraça: “Não vos perturbeis, que a sua alma nele está” (At 20:10). Leitura espírita: morte aparente ou desdobramento (Gênese, cap. XV; C&I, 1ª parte, cap. III), não ressurreição real. Discurso de despedida aos anciãos de Éfeso em Mileto, culminando na citação: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20:35) — logion de Jesus preservado apenas aqui, citado por Kardec (ESE, cap. XIII). Ver 20.

Cap. 21 — Subida a Jerusalém; Ágabo; prisão. Ágabo toma o cinto de Paulo, amarra-se e profetiza: “assim ligarão em Jerusalém os judeus o varão de quem é este cinto” (At 21:11) — mediunidade dramática/profética. Paulo segue apesar dos avisos: “estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (At 21:13). Preso no templo após acusação de profanação. Ver 21.

Cativeiro e defesa (caps. 22–26)

Cap. 22 — Primeira defesa em Jerusalém. Paulo narra publicamente sua conversão em Damasco (At 22:3–21) — segundo relato paralelo a At 9. Aclara sua cidadania romana (At 22:25–29). Ver 22.

Cap. 23 — Sinédrio; conspiração; envio a Cesareia. “Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado” (At 23:6) — divide saduceus e fariseus. Vem o Senhor de noite: “tem ânimo, Paulo […] importa que dês testemunho de mim também em Roma” (At 23:11) — aparição espiritual. Ver 23.

Cap. 24 — Defesa diante de Félix. “confesso-te que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas. Tendo esperança em Deus […] de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos” (At 24:14–15). Ver 24.

Cap. 25 — Diante de Festo; apelo a César. “Para César apelo” (At 25:11) — direito de cidadão romano. Ver 25.

Cap. 26 — Defesa diante de Agripa. Terceiro e mais polido relato da conversão. “Não fui desobediente à visão celestial” (At 26:19). Agripa: “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão” (At 26:28). Ver 26.

Viagem a Roma (caps. 27–28)

Cap. 27 — Tempestade e naufrágio. Travessia do Mediterrâneo; tempestade de catorze dias. Paulo anuncia em visão: “Esta noite esteve comigo o anjo de Deus […] dizendo: Paulo, não temas” (At 27:23–24). Naufrágio em Malta com salvação de todos os 276 a bordo — “nenhum de vós perderá cabelo algum da cabeça” (At 27:34) cumpre-se literalmente. Ver 27.

Cap. 28 — Malta; chegada a Roma. Paulo mordido por víbora ao ajuntar lenha, sacode-a no fogo sem dano (At 28:3–6); nativos o tomam por deus. Curas em Malta pela imposição das mãos, inclusive do pai de Públio (At 28:8) — ação fluídica (Gênese, cap. XIV). Chegada a Roma; dois anos pregando “com toda a confiança, sem impedimento algum” (At 28:30–31) — final aberto. Ver 28.

Note

O episódio da víbora (At 28:3–6) parece confirmar a promessa literal de Mc 16:18. A leitura espírita se mantém: o que se registra é ação fluídica específica ligada à missão de Paulo, não promessa genérica de imunidade a venenos. Ver sinais-de-marcos-16.

Temas centrais para o estudo espírita

  1. Pentecostes como mediunidade universal — At 2 cumpre Joel: mediunidade deixa de ser privilégio sacerdotal e se populariza. Base neotestamentária de LM, 2ª parte, cap. XIV, item 159.
  2. Fenomenologia mediúnica apostólica — aparições (At 9, 10, 16, 18, 23, 27), xenoglossia (At 2, 10, 19), curas por imposição e por contato (At 3, 5:15, 9, 19:12, 28:8), transporte (At 8:39), desmaterialização (At 12), morte aparente (At 20), profecia (At 11:28; 21:11). Corpus ilustrativo para Gênese, caps. XIV–XV.
  3. Desobsessão no NT — pitonisa de Filipos (At 16:16–18), sete filhos de Ceva (At 19:13–16). Ver obsessao.
  4. Magia mercenária vs. mediunidade gratuita — Simão, o Mago (At 8:9–24), Elimas (At 13:6–12), livros queimados em Éfeso (At 19:19). Coerente com LM, cap. XXIX (desinteresse); Viagem Espírita em 1862.
  5. Universalismo moral — At 10:34–35, At 15, At 17:26–28. Cumpre Jesus (Jo 10:16) e fundamenta ESE caps. XI, XXIII.
  6. Deus não habita em templos — At 7:48 (Estêvão), At 17:24 (Paulo). Coerente com ESE cap. XVII (adoração em espírito); LE q. 658–664.
  7. Caridade e comunhão de bens — At 2:42–47; 4:32–37; Tabita (At 9:36); At 20:35 citado por Kardec em ESE cap. XIII.
  8. Emancipação da alma na morte — visão de Estêvão (At 7:55–56). Ver emancipacao-da-alma.
  9. Fé raciocinada — bereanos examinavam as Escrituras diariamente (At 17:11). Modelo ESE cap. XIX.
  10. Providência e missão — sucessivas aparições encorajadoras a Paulo (At 18:9; 23:11; 27:23) mostram a assistência espiritual aos que cumprem missão (LE q. 575–580).

Referências cruzadas com o Pentateuco

Passagem de AtosPentateuco
At 2:1–21 — PentecostesLM, 2ª parte, cap. XIV (mediunidade universal)
At 2:42–47; 4:32–37 — Comunhão de bensESE, caps. XIII, XVI
At 3; 5:15; 9:17; 14:8; 19:12; 28:8 — Curas por imposição/contatoGênese, cap. XIV
At 5:1–11 — Ananias e SafiraC&I, 1ª parte, caps. VI–VII (divergência)
At 7:48 — “Altíssimo não habita em templos”ESE, cap. XVII; LE, q. 658–664
At 7:55–60 — Visão e morte de EstêvãoLE, q. 400–418; ESE, cap. V
At 8:9–24 — Simão, o MagoLM, 2ª parte, cap. XXIX (desinteresse)
At 8:39 — Felipe arrebatadoGênese, cap. XIV (transporte)
At 9:1–18 — Conversão de PauloGênese, caps. XIV–XV (aparições)
At 10:34–35 — “Deus não faz acepção de pessoas”ESE, cap. XI
At 12:5–17 — Libertação de PedroGênese, cap. XIV
At 15 — Concílio de JerusalémESE, cap. XXIII
At 16:16–18 — Pitonisa de FiliposLM, 2ª parte, cap. XXIII (desobsessão)
At 17:11 — Bereanos examinavam as EscriturasESE, cap. XIX (fé raciocinada)
At 17:24 — Deus não habita em templosESE, cap. XVII
At 17:28 — “Nele vivemos, nos movemos e existimos”ESE, cap. I; LE, q. 1–16
At 19:13–16 — Filhos de CevaLM, 2ª parte, cap. XXIII; ESE, cap. X
At 20:7–12 — ÊuticoC&I, 1ª parte, cap. III (morte aparente); Gênese, cap. XV
At 20:35 — “Mais bem-aventurado dar que receber”ESE, cap. XIII
At 21:10–11 — Ágabo profetaLM, 2ª parte, cap. XVI (mediunidade profética)
At 28:3–6 — Víbora em MaltaGênese, caps. XIV–XV (ver divergência de Mc 16)

Conceitos tratados

Personalidades citadas

  • jesus — aparece a Paulo no caminho de Damasco (At 9:4–5); fala a Paulo em Corinto (At 18:9) e na cela em Jerusalém (At 23:11).
  • pedro-apostolo — protagonista dos caps. 1–12; pregador do Pentecostes; abertura aos gentios em Cornélio.
  • paulo-de-tarso — apóstolo dos gentios; protagonista dos caps. 9, 13–28.
  • estevao-o-martir — primeiro mártir cristão (At 6–7).
  • Lucas — autor; companheiro de Paulo nas seções “nós” (At 16:10–17; 20:5–21:18; 27:1–28:16).
  • Barnabé — companheiro de Paulo na primeira viagem; medium das doações (At 4:36–37; 13–14).
  • Ágabo — médium profético (At 11:28; 21:10–11).
  • Tiago, irmão do Senhor — preside o concílio de Jerusalém (At 15:13–21).
  • Tiago, filho de Zebedeu — martirizado por Herodes (At 12:2).
  • Matias — substitui Judas (At 1:26).
  • Felipe, diácono evangelista — prega em Samaria e ao eunuco etíope (At 8).
  • Cornélio — centurião romano, primeiro gentio convertido (At 10).
  • Ananias de Damasco — restaura a visão de Paulo (At 9:10–19).
  • Lídia, Priscila, Áquila, Tabita, Dorcas — colaboradores da comunidade.
  • Simão, o Mago — figura-tipo da magia mercenária (At 8:9–24).
  • Gamaliel — mestre de Paulo, prudente conselheiro do Sinédrio (At 5:34–39; 22:3).

Divergências registradas

  • morte-de-ananias-e-safira — At 5:1–11 vs. progressividade das penas (C&I, 1ª parte, caps. VI–VII) e LE, q. 1009–1016. Status: aberta.
  • Nota: At 28:3–6 (Paulo e a víbora) é coberto pela divergência já registrada em sinais-de-marcos-16 (Mc 16:17–18).

Fontes

  • Bíblia Sagrada (Almeida Corrigida e Fiel). Atos dos Apóstolos, caps. 1–28. Texto integral em raw/biblia-acf/atos/.
  • KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Esp. caps. I, XI, XIII, XVII, XIX, XXIII.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Esp. 2ª parte, caps. XIV, XVI, XXIII, XXIX.
  • KARDEC, Allan. A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Esp. caps. XIV–XV.
  • KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Esp. 1ª parte, caps. III, VI–VII.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Esp. q. 400–418, 658–664, 1009–1016.