Parábola da ovelha perdida

Definição

Parábola narrada em Mateus 18:12–14 (paralelo em Lc 15:3–7). O pastor que tem cem ovelhas e perde uma delas deixa as noventa e nove e vai buscar a que se perdeu; ao encontrá-la, alegra-se mais dela que das demais.

Texto da parábola

“Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? E, se porventura a acha, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. Assim também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.” (S. Mateus, 18:12–14)

Ensino de Kardec

Kardec trata o tema no ESE, cap. XI (“Amar o próximo como a si mesmo”), e no cap. XVIII, ao discutir o cuidado que Jesus dedica aos “pequeninos” e aos que se desviaram. A parábola é contraponto à leitura rigorista da justiça divina: Deus não se apraz em punir, mas em recuperar. O arrependimento de um pecador é festejado no mundo espiritual porque representa reintegração ao rebanho dos que progridem (ESE, cap. XI, item 10).

A lógica kardequiana é explícita em C&I: nenhuma ovelha se perde em definitivo. O Pastor dispõe da eternidade para buscá-la — as reencarnações sucessivas são, cada uma, oportunidade de retorno ao caminho (LE, q. 1009; C&I, 1ª parte, cap. VII).

Leitura espírita

  • Primado da misericórdia. A justiça divina não despreza o faltoso; busca-o.
  • Responsabilidade pastoral. A parábola também é lição para os que se colocam como guias (pais, educadores, mediadores espíritas): cuidar da maioria não dispensa o cuidado com o que se desviou.
  • Alegria da reparação. O festejo pela ovelha encontrada reflete a lei do progresso: cada Espírito que retorna eleva o conjunto.

Aplicação prática

Orienta o trabalho de evangelização e de acolhimento: não se abandonam os que se afastaram. Também ensina a não julgar o desviado como perdido — enquanto há vida, há caminho de retorno. Nas casas espíritas, a parábola fundamenta a disposição permanente de acolher quem volta, sem recriminação.

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, caps. XI, XVIII. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. VII. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Bíblia Sagrada (ACF). S. Mateus, 18:12–14.