Ermance Dufaux
Identificação
- Nome: Ermance Dufaux (também grafada Hermance Dufaux na edição francesa original)
- Idade em 1858: 14 anos (a Revista Espírita refere-se reiteradamente a ela como “Srta. Dufaux” e “criança de catorze anos”)
- Local de atuação: Paris, círculo próximo a Allan Kardec
Papel
Médium psicógrafa precoce — depois também médium falante — escolhida por Kardec para um gênero raro entre os primeiros médiuns: trabalhos biográficos de fôlego ditados por Espíritos historicamente identificados. Não foi o caso de respostas avulsas, mas de obras inteiras, encadeadas, com detalhes “pouco ou nada conhecidos sobre a vida da heroína” (RE, jan/1858, “História de Joana d’Arc ditada por ela própria à senhorita Ermance Dufaux”). Kardec assinala explicitamente o critério de não-suficiência da hipótese reducionista: aos catorze anos, com instrução escolar comum, ela não teria como conhecer “documentos íntimos, dificilmente encontradiços nos arquivos da época” (idem).
A trajetória mediúnica é descrita com nuance clínica por Kardec:
“A princípio era boa médium psicógrafa e escrevia com grande facilidade. Pouco a pouco tornou-se médium falante e, à medida que essa nova faculdade se desenvolveu, a primeira se atenuou. Hoje escreve pouco e com dificuldade, mas o que é original é que, falando, sente a necessidade de estar com um lápis na mão e de fingir que escreve. É necessária outra pessoa para registrar suas palavras, como as da Sibila.” (RE, jan/1858)
Obras associadas
Trabalhos ditados por intermédio de Ermance Dufaux na Revista Espírita de 1858:
- História de Joana d’Arc, ditada por ela mesma (jan/1858) — autobiografia espiritual de joana-darc, publicada pela editora Dentu (Palais-Royal, Paris, 1858). É a única das histórias então publicada em volume separado.
- História de Luís XI, ditada por ele mesmo (mar, mai e jun/1858) — Confissões de Luís XI, com a “rapidez de execução” de quinze dias para um “grosso volume” e detalhes inéditos sobre a política do rei (RE, mar/1858). Ver luis-xi.
- História de Carlos VIII, ditada por ele mesmo — anunciada por Kardec como em preparo na mesma série; permaneceu inédita.
Dissertações morais ditadas por sao-luis à Srta. Dufaux:
- A avareza (RE, fev/1858 — comunicação datada de 6/1/1858)
- O orgulho (RE, mai/1858)
- A preguiça (RE, jun/1858)
- A inveja (RE, jul/1858)
Outras dissertações por São Luís através dela:
- A fatalidade e os pressentimentos (RE, mar/1858)
- Problemas morais — Perguntas dirigidas a São Luís (RE, mai/1858)
Citações relevantes
Kardec sobre a qualidade dos Espíritos que se comunicam por seu intermédio:
“Como todos os médiuns favorecidos pelos bons Espíritos, jamais recebeu comunicações que não fossem de ordem elevada.” (RE, jan/1858)
Sobre a história de Luís XI (em resposta a quem atribuísse o trabalho à memória da médium):
“Seria preciso que uma criança de catorze anos tivesse uma memória fenomenal e uma não menos extraordinária precocidade para que pudesse escrever de uma assentada uma obra dessa natureza. Mas, admitindo que assim fosse, perguntamos onde essa criança teria obtido as explicações inéditas da sombria política de Luís XI e se não teria sido mais interessante que seus pais lhe atribuíssem o mérito.” (RE, mar/1858)
Páginas relacionadas
- revista-espirita-1858 — médium central deste volume.
- allan-kardec
- sao-luis — orientador habitual; quatro dissertações morais por seu intermédio.
- joana-darc · luis-xi
Fontes
- Kardec, Allan. Revista Espírita, jan/1858 (“História de Joana d’Arc ditada por ela própria à senhorita Ermance Dufaux”); fev, mai, jun, jul/1858 (dissertações morais); mar, mai, jun/1858 (Confissões de Luís XI).
- Edição local: 1858.
- DUFAUX, Ermance (méd.). Histoire de Jeanne d’Arc dictée par elle-même. Paris: Dentu, Palais-Royal, 1858.