Plínio, o moço

Identificação

  • Nome: Caius Plinius Caecilius Secundus, conhecido como Plínio, o moço (Plinius minor) (c. 61–113 d.C.)
  • Origem: Como, Itália. Sobrinho e filho adotivo de Plínio, o velho, autor da História Natural (que pereceu observando a erupção do Vesúvio em 79 d.C.)
  • Cargos: advogado em Roma, cônsul (100 d.C.), governador da Bitínia-Ponto (c. 110–113) sob Trajano
  • Obras conservadas: dez livros de Cartas (Epistulae), incluindo a célebre correspondência com Trajano sobre os cristãos da Bitínia (Liv. X, 96–97); o Panegírico de Trajano

Papel

Espírito autor consciente evocado em sessão de 28 de janeiro de 1859 da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e publicado em março de 1859 da Revista Espírita. Primeira evocação documentada de uma grande figura clássica greco-romana na codificação espírita. Kardec dirige-lhe 13 perguntas sobre os três casos de aparição que o próprio Plínio relata na sua Carta a Sura (Liv. VII, carta 27):

  1. A senhora misteriosa que aparece a Curtius Rufus na África anunciando seu destino;
  2. O fantasma de velho com correntes na casa de Atenas, que conduz o filósofo Atenodoro ao lugar onde estavam enterrados ossos com ferros (cumprindo a função de “símbolo da escravidão; meio de convencer os homens e de lhes chamar a atenção”, conforme Plínio responde);
  3. As apariço-s domésticas em sua própria casa, com cabelos cortados durante o sono.

A função doutrinária é tripla:

  1. Continuidade da memória através de séculos — Plínio responde com naturalidade às perguntas após “1.743 anos”: “Por que, então, nós Espíritos não nos poderíamos recordar? Tendes lembrança de muitos atos de vossa infância. Que é para o Espírito uma existência passada senão a infância das existências pelas quais devemos passar antes de chegarmos ao fim das provas?” (RE, mar/1859).
  2. Confirmação retrospectiva de fatos espíritas pré-cristãos“Eu os sustento porque são verdadeiros. Diariamente tendes fatos semelhantes a que não prestais atenção.”
  3. Diagnóstico moral do século XIX — Plínio fala como Espírito superior e julga o tempo de Kardec.

Citações relevantes

Sobre o século XIX como século do egoísmo:

“O desinteresse é praticamente inexistente no vosso século. Em cada duzentos homens encontrareis apenas um ou dois realmente desinteressados. Sabeis muito bem que este é um século do egoísmo e do dinheiro. Atualmente os homens são feitos de lama e se revestem de metal. Outrora havia sentimento, o estofo dos Antigos; hoje existe apenas a condição social.” (RE, mar/1859)

Sobre por que os Espíritos se manifestam agora:

“Nós nos manifestamos justamente porque vós vos afastais dos princípios dados por Jesus.” (RE, mar/1859)

Sobre o sentido das aparições antigas:

“São muito simples, mas na época em que vivi eram considerados surpreendentes. Disso não vos deveis admirar. Ponde de lado essas coisas porque tendes outras mais extraordinárias.” (RE, mar/1859)

Sobre seu próprio Panegírico de Trajano:

”— Que pensais do vosso panegírico de Trajano?
— Deveria ser refeito.”
(RE, mar/1859)

Comentário de Kardec, equilibrando a crítica de Plínio sobre o “século”:

“Seria injusto desconhecer a sua superioridade em mais de um ponto, mesmo sobre os mais belos tempos de Roma, que também tiveram os seus exemplos de barbárie. Então havia ferocidade até na grandeza e no desinteresse, ao passo que o nosso século será marcado pelo abrandamento dos costumes e pelos sentimentos de justiça e de humanidade que presidem a todas as instituições que vê nascer e até às questões entre os povos.” (RE, mar/1859)

Obras associadas

  • Carta a Sura (Liv. VII, 27) — sobre fantasmas, aparições e fenômenos noturnos. Texto integral transcrito por Kardec em RE, mar/1859.
  • Cartas (10 livros), Livro X 96–97 (correspondência com Trajano sobre os cristãos da Bitínia, citada na evocação).
  • Panegírico de Trajano.

Páginas relacionadas

Fontes

  • KARDEC, Allan. Revista Espírita, mar/1859, “Plínio, o moço” — incluindo “Carta a Sura (Liv. VII - Carta 27)” e “Respostas de Plínio às perguntas dirigidas na sessão do dia 28 de janeiro, na Sociedade”. Edição local: 1859.
  • PLÍNIO, o moço. Cartas. Edição francesa de referência citada por Kardec; em português, Cartas Selectas (várias edições).