Progresso espiritual

Definição

Marcha ascendente do Espírito em direção à perfeição, finalidade da criação e motivo da encarnação. Princípio transversal ao LE; ver especialmente q. 115–122 e q. 780–784.

“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si.” (LE, q. 115)

Igualdade de origem

Todos os Espíritos são criados simples e ignorantes; nenhum é criado bom ou mau, superior ou inferior (LE, q. 115). A desigualdade atual é fruto das trajetórias — uns avançaram mais depressa no livre exercício da vontade (LE, q. 115).

Não-retrogressão

O Espírito não retrograda: pode estacionar, mas cada prova concluída deixa ciência que não se perde (LE, q. 118). Deus não poderia ter criado Espíritos já perfeitos, pois sem luta não haveria mérito (LE, q. 119).

Progresso moral e intelectual

O progresso moral decorre do progresso intelectual, mas nem sempre o segue imediatamente (LE, q. 780). A inteligência, ao fazer compreensíveis o bem e o mal, permite ao homem escolher; o desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade (LE, q. 780, letra a).

No ESE

O ESE desenvolve o progresso espiritual sob múltiplos ângulos:

  • Cap. III — Apresenta a progressão dos mundos: o Espírito ascende de mundos primitivos a mundos de expiação e provas, regeneradores, felizes e celestes, sempre por mérito próprio (ESE, cap. III, itens 3–5). Ver mundos-de-expiacao-e-provas.
  • Cap. XVII — “Sede perfeitos”: a perfeição moral é a meta do progresso; Kardec detalha os caracteres do homem de bem e os deveres do espírita consequente (ESE, cap. XVII).
  • Cap. XX — “Os trabalhadores da última hora”: ensina que nunca é tarde para iniciar ou retomar o caminho do bem. A parábola dos trabalhadores ilustra que Deus acolhe a todos conforme o esforço, independentemente do momento em que começaram (ESE, cap. XX). Ver parabola-dos-trabalhadores-da-ultima-hora.

Ver evangelho-segundo-o-espiritismo.

Progresso da Humanidade

A Humanidade, em seu conjunto, progride — embora em meio a abusos e recuos aparentes. “Faz-se mister que o mal chegue ao excesso, para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.” (LE, q. 784)

Ver lei-do-progresso.

Desenvolvimento por Léon Denis

Denis aprofunda o conceito em O Problema do Ser e do Destino: a evolução da alma se dá pelo esforço da vontade, pela dor como instrumento educativo e pelas potências interiores (caps. 9, 20–27). “A lei do progresso não se aplica somente ao homem. Ela é universal.” (Léon Denis, O Problema do Ser, cap. 9).

Ver potencias-da-alma, dor, o-problema-do-ser-e-do-destino.

Em Cristianismo e Espiritismo (cap. XI, “Renovação”), Denis destaca que o Espiritismo oferece base moral definitiva para o progresso: lei de causa e efeito, responsabilidade pessoal e solidariedade entre as duas humanidades (encarnada e desencarnada). “A compreensão das coisas divinas aumenta com o nosso progresso, à medida que nossas faculdades e nossos sentidos, em se desenvolvendo, nos abrirem novas perspectivas sobre os mundos superiores” (cap. X). Cita exemplos concretos de renovação moral pelo Espiritismo entre mineiros de Charleroi e forçados de Tarragona.

Ver cristianismo-e-espiritismo.

Em O Grande Enigma (caps. VI e XV–XVI), Denis desenvolve a “lei circular”: a vida se desenrola em ciclos — nascimento, juventude, maturidade, velhice, morte — que se repetem em espiral ascendente. “A lei do progresso não se detém no homem; ela prossegue através dos mundos invisíveis, sob formas cada vez mais sutis, de potências em potências, de glórias em glórias até ao infinito, até Deus” (cap. VI). No cap. XVI, Denis projeta o progresso coletivo: o séc. XX como “século do espírito”, sucedendo ao séc. XIX da matéria.

Ver o-grande-enigma.

Desenvolvimento por Emmanuel

Em A Caminho da Luz, Emmanuel ilustra o progresso espiritual numa escala civilizatória: cada civilização terrestre — Egito, Índia, Grécia, Roma, Europa medieval e moderna — representa uma etapa no aprendizado coletivo da Humanidade, sempre conduzida por missionários espirituais sob a orientação do Cristo. O progresso não é apenas individual, mas também coletivo e planetário, culminando na transição para um mundo de regeneração (caps. 24–25).

Ver a-caminho-da-luz.

Páginas relacionadas

Fontes

  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, q. 115–122, q. 780–784. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, caps. III, XVII e XX. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Denis, Léon. O Problema do Ser e do Destino, caps. 9, 20–27. Trad. Homero Dias de Carvalho. CELD, 2011.
  • Denis, Léon. Cristianismo e Espiritismo, caps. X–XI. Trad. Albertina Escudeiro Sêco. CELD, 2012.
  • Denis, Léon. O Grande Enigma, caps. VI, XV–XVI. Trad. Maria Lucia Alcantara de Carvalho. CELD, 2011.
  • XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). A Caminho da Luz. FEB, 1939.