Mundos felizes
Definição
Mundos superiores onde o bem sobrepuja o mal e os Espíritos gozam de condições de vida purificadas. Representam estágios avançados na escala da evolução espiritual.
Ensino de Kardec
Posição na escala dos mundos
Na escala canônica fixada por Kardec (ESE, cap. III, item 4), os mundos felizes ocupam o 4º degrau, acima dos mundos primitivos, dos mundos de expiação e provas e dos mundos regeneradores, e abaixo dos mundos celestes ou divinos. São definidos como aqueles “onde o bem sobrepuja o mal” (ESE, cap. III, item 4); a descrição detalhada das condições de vida vem nos itens 9–12.
Características físicas e espirituais
A descrição mais ampla dos mundos superiores está em ESE, cap. III, item 9: corpo aperfeiçoado, sentidos mais apurados, locomoção pela vontade (“desliza, a bem dizer, pela superfície, ou plana na atmosfera, sem qualquer outro esforço além do da vontade”), longevidade proporcional ao adiantamento, transmissão livre do pensamento. Aplicado especificamente aos mundos felizes (itens 10–11): não há guerras, escravidão, ódio nem inveja; “ninguém, todavia, sofre por lhe faltar o necessário, uma vez que ninguém se acha em expiação. Numa palavra: o mal, nesses mundos, não existe” (ESE, cap. III, item 10).
Relações sociais
A fraternidade e o amor unem todos os seres: “Um laço de amor e de fraternidade reúne todos os habitantes” (ESE, cap. III, item 10). Só o mérito moral confere autoridade; a ambição, a vaidade e a inveja são desconhecidas. A organização social é baseada na justiça natural, não na coerção.
Beleza e serenidade
Kardec descreve uma existência de beleza e serenidade incomparáveis: “Aí, não há lutas, dissensões, partidos, guerras, assassínios. As artes, as ciências, a indústria são cultivadas, porém para o bem geral, não em proveito de poucos” (ESE, cap. III, item 11).
Acesso pelo mérito
Deus não é parcial — todos os Espíritos podem alcançar os mundos felizes pelo trabalho e pelo mérito: “Deus não fez criaturas privilegiadas; a todos dá direitos e deveres iguais. Se uns estão mais adiantados do que outros, não o é por favor, mas por trabalho” (ESE, cap. III, item 12). O caminho é aberto a todos, sem exceção.
Espíritos puros e mundos divinos
Acima dos mundos felizes estão os mundos celestes ou divinos — “habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem” (ESE, cap. III, item 4). Representam o grau supremo da escala dos mundos e correspondem, do lado dos Espíritos, à 1ª ordem da escala espírita (“Espíritos puros”, LE q. 113).
Desdobramentos
O ensino sobre os mundos felizes serve como referência do que a Humanidade pode alcançar pelo progresso moral coletivo. Não é utopia abstrata, mas descrição de uma realidade existente em outros pontos do universo, conforme os Espíritos comunicantes.
Aplicação prática
Em estudos sobre a pluralidade dos mundos e o destino da Humanidade, os mundos felizes oferecem uma visão concreta do que espera os Espíritos que se purificam. Nas palestras sobre o sentido do sofrimento, lembrar que os mundos felizes existem e são acessíveis pelo mérito traz esperança e motivação para o trabalho moral.
Páginas relacionadas
- mundos-primitivos — o ponto de partida da escala
- mundos-de-expiacao-e-provas — onde a Terra ainda está
- mundos-regeneradores — o estágio intermediário
- mundos-celestes-ou-divinos — o estágio seguinte (cume)
- escala-espirita — a classificação dos Espíritos
- progresso-espiritual — a lei que conduz aos mundos superiores
- pluralidade-dos-mundos-habitados — a diversidade dos mundos
- evangelho-segundo-o-espiritismo — cap. III
Fontes
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB. Cap. III (“Há muitas moradas na casa de meu Pai”), item 4 (escala canônica das categorias de mundos) e itens 9–12 (descrição dos mundos felizes).
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, q. 113 (“Espíritos puros”, 1ª ordem da escala espírita). Trad. Guillon Ribeiro. FEB.